domingo, 17 de outubro de 2010

Mudanças demográficas afetarão o clima, dizem especialistas

O mundo provavelmente estará bem mais lotado até 2100, e as mudanças demográficas dessa população – quantos indivíduos a mais, com que idade e vivendo onde – irão afetar as emissões de gases do efeito estufa, disseram pesquisadores na segunda-feira (11).

Desacelerar o crescimento populacional é algo que poderia ter um profundo efeito nas emissões de poluentes pelo uso de combustíveis fósseis, o que é um fator importante para o aquecimento global, mas só isso não evitará os impactos mais graves da mudança climática, segundo o estudo.

Há muito tempo os cientistas correlacionam o crescimento populacional às emissões de gases do efeito estufa, mas até agora eles não haviam estudado os efeitos das mudanças demográficas que devem acompanhar o aumento populacional.

A tendência para este século é que a população envelheça e se urbanize, e que se concentre em grupos menores — em vez das grandes famílias —, conforme o estudo de pesquisadores de EUA, Alemanha e Áustria, publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Os pesquisadores consideraram três cenários: numa continuação da atual tendência, o mundo ganharia 2 bilhões de habitantes até 2050; com um crescimento mais lento, a população mundial aumentaria em 1 bilhão de pessoas; se o ritmo se acelerar, podem ser 3 bilhões de indivíduos adicionais, ou seja, a população mundial saltaria de 6 para 9 bilhões.

Um crescimento mais lento poderia reduzir as emissões em 16 a 29 por cento do total necessário para evitar que a temperatura global tenha um aumento catastrófico, segundo os cientistas. O envelhecimento populacional — com a consequente redução da mão de obra — poderia reduzir as emissões em até 20 por cento em alguns países industrializados.

Grosso modo, mais gente significa mais uso de combustíveis fósseis, e mais emissões de gases do efeito estufa. Mas quem vive em áreas rurais nos países industrializados usa mais biomassa como combustível, em vez de combustíveis fósseis (como carvão e petróleo), segundo Brian O”Neill, do Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica dos EUA, um dos autores do estudo.

Por isso, a urbanização da população deve elevar também o uso de combustíveis fósseis, especialmente nos países em desenvolvimento. Mesmo que a população urbana reduza sua “pegada” de carbono — vivendo em espaços menores, usando mais o transporte público e menos combustível fóssil por pessoa —, o êxodo rural deve causar uma elevação nas emissões de gases do efeito estufa.

Outro efeito da urbanização é que os trabalhadores das cidades tendem a contribuir mais com o crescimento econômico do que os rurais.

“Isso não é porque eles trabalhem com mais empenho ou mais horas”, disse O”Neill por telefone. “É porque eles estão em setores econômicos que geram mais crescimento econômico.”

Como resultado, a economia de um país inteiro cresce com a urbanização, e a demanda por energia também cresce, puxando consigo as emissões em até 25 por cento no caso de alguns países em desenvolvimento.

Segundo O”Neill, a urbanização deve causar uma maior demanda energética especialmente na Ásia.

“Acho possível … que estejamos subestimando as potenciais taxas de crescimento na demanda energética em regiões do mundo que podem se urbanizar muito rapidamente nos próximos 20 a 30 anos.”
 
Fonte: http://www.revistameioambiente.com.br/









sábado, 16 de outubro de 2010

Oceano aquecido favorece invasoras

Se o aumento da temperatura global já afeta a superfície da Terra, debaixo d’água o desequilíbrio também é crescente. Uma pesquisa realizada por biólogos marinhos da University of California (UC Davis) revela que, com o aumento da temperatura dos oceanos, espécies nativas sofrem com a invasão e a permanência de espécies exóticas em seu habitat.

O local escolhido para análise foi o porto de pesca de Bodega Bay, no leste do Oceano Pacífico. O monitoramento de espécies de vida vegetal e animal têm sido acompanhado por mais de 50 anos na região da baía com a ajuda de pesquisadores do Laboratório Marinho de Bodega. De lá pra cá a temperatura da água subiu 2,5 graus Fahrenheit e a quantidade de espécies exóticas é duas vezes maior em relação às nativas.

Segundo o biólogo Carlos Augusto Figueiredo do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio), essa transformação diz respeito à resistência e facilidade de adaptação das espécies exóticas. “O aumento da temperatura das águas temperadas não dá tempo dos seus organismos nativos de se adaptarem. Por outro lado, os invasores são beneficiados por sua rápida capacidade de adaptação. Eles chegam a qualquer parte do globo transportados nos cascos de embarcações e literalmente invadem a praia dos organismos nativos”.

A preocupação dos americanos é grande. Susan Williams, co-autora da pesquisa da UC Davis, explica que esse desequilíbrio pode não ter volta. “Nossos resultados sugerem fortemente que, como as temperaturas do oceano continuam a aumentar, as espécies nativas nesse sistema vão diminuir em abundância, enquanto que as espécies introduzidas têm tendência a aumentar” (Thiago Camara)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O seu carro e a poluição atmosférica

É a poluição do ar que nós respiramos

No dia 22 de setembro de 2010, em Campo Grande, aconteceu o evento "Na Cidade Sem Meu Carro" promovido pela Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Pelo quarto ano consecutivo, funcionários das secretarias serão incentivados a irem de ônibus, bicicleta e até mesmo a pé, para o trabalho. O objetivo principal do projeto é conscientizar a população perante a atual conjuntura do meio ambiente. A data faz referência ao Dia Mundial Sem Carro. O passeio ciclístico pela cidade tem como meta chamar a atenção da sociedade para o problema da poluição atmosférica nos grandes centros.

O Dia Mundial Sem Carro é um movimento que começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 20, e desde então vem se espalhando pelo mundo, ganhando a cada edição mais adesões nos cinco continentes. Trata-se de um manifesto/reflexão sobre os gigantescos problemas causados pelo uso intenso de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos, e um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis - entre os quais se destaca a bicicleta.

A poluição do ar é um grande mal provocado por nós seres humanos. A queima de combustível nos carros é a maior causa da poluição. Campo grande infelizmente já segue no mesmo nível de poluição que São Paulo e Rio de Janeiro. O clima seco, com grande períodos de estiagem e baixa umidade, agrava ainda mais a situação. Segundo pesquisas, os gases que saem dos escapamentos dos meios de transporte são responsáveis por 40% da poluição nas grandes cidades. Apesar do homem estar em busca de soluções para este problema, muitos automóveis já estão utilizando gás natural como combustível.

Fumaça do escapamento dos carros contribui para poluição do ar

Outro fator que contribui, é o carro movido a álcool, não fóssil, que polui pouco. O crescimento econômico gera uma facilidade na compra de carros e sem o cuidado adequado ou qualquer preocupação com o meio ambiente. “Geralmente carro novo se faz a revisão de ano em ano. É importante porque a revisão periódica do veículo ajuda a gerar menos poluente ao meio ambiente”, diz o acadêmico Carlos Alberto.

A estudante de jornalismo, Joyce Vieira, diz que faz revisão de seis em seis meses no seu carro. “Penso na qualidade do carro, manutenção e sempre tem um desconto na revisão”, diz. “Sem manutenção, posso ficar na mão com o carro”. No que diz respeito à poluição, ela acredita que tudo esteja interligado. “ Uma coisa engloba a outra”, afirma.

Diogo Borges, estudante de Engenharia Civil, diz que não pensa muito na poluição atmosférica. “Faço revisão de seis em seis meses na minha moto porque se não fico a pé”, brinca. “Mas admito que não penso no meio ambiente não”, revela.

Apesar de poucas pessoas pensaram nos malefícios da poluição atmosférica, seus efeitos causam problemas no sistema respiratório podendo agravar ou mesmo provocar diversas doenças crônicas tais como a asma, bronquite crônica, infecções nos pulmões, enfisema pulmonar, doenças do coração e cancro do pulmão.

Elizângela Lemes, Lane Nakasone, Élida Monteiro

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A poluição esquecida

Ela é vista, mas não é lembrada

Pouco se fala em poluição visual. Além das autoridades e poder público, as próprias organizações não-governamentais e entidades ambientais são pouco expressivas em relação a luta contra esse tipo de poluição.

A poluição visual está relacionada ao excesso de cartazes, banners, luzes, propagandas, pixações e, até mesmo, de fios de eletricidade, situações bastante comuns no meio urbano. Além de promover o desconforto espacial e visual, este excesso descaracteriza e desvaloriza os aspectos culturais da cidade.

Campo Grande não está livre deste tipo de poluição. Um dos profissionais que percebem a gravidade do problema é o arquiteto Ângelo Arruda. Ele afirma que a poluição visual se agravou com o passar dos anos, a cidade cresceu e as normas ficaram mais brandas. “A poluição visual é ruim para a cidade e para seus cidadãos. Ela esconde a beleza da arquitetura, da paisagem, da história, cria uma histeria urbana de propaganda que somente beneficia o capital privado”, ressaltou Arruda.

Em busca da solução - A esperança de se amenizar a poluição visual está no artigo 26 do Plano para Revitalização do Centro de Campo Grande, que diz: “Para a valorização do ambiente natural e construído nas Zonas de Especial Interesse Cultural (Zeics) e combate à poluição visual e degradação ambiental, toda a comunicação visual obedecerá ao disposto nesta seção, em conformidade com as diretrizes do Plano de Revitalização do Centro e será regulamentada em até 180 dias”.

O Plano de Revitalização, lei complementar nº 161/2010, foi sancionado pelo prefeito Nelson Trad Filho no dia 20 de julho deste ano. Mas as regras que se referem a poluição visual devem ser apresentadas somente no próximo ano. “A situação no centro deve mudar com o Plano de Revitalização, mas em todo caso precisamos envolver mais entidades para discutir o problema”, analisou o arquiteto Ângelo Arruda.

Sobre a falta de participação da sociedade e entidades ambientais na luta contra este tipo de poluição, Arruda acredita que somente o poder público poderá resolver o problema. “Nós moradores da cidade, merecemos ser protegidos pelo poder público e não colocados na poluição urbana”.

O arquiteto sugere ainda uma solução. “Fica aqui uma proposta que todo proprietário de terreno que quiser colocar outdoor ou outra coisa de propaganda, tenha um alvará do poder público onde será autorizado o tamanho, posição da placa etc”.
                                     Pixações: Exemplo de poluição visual em Campo Grande

Poluição luminosa – Alguns tipos de poluição visual podem interferir em ecossistemas e causar efeitos negativos à saúde, como por exemplo, a poluição luminosa. Neste caso, a fonte de poluição são as luzes de residências e outros estabelecimentos, anúncios publicitários, iluminação viária, bem como toda outra fonte artificial de luz.
A poluição luminosa produz muitos impactos negativos para o reino animal, o reino vegetal e a humanidade. Este tipo de poluição pode confundir a navegação animal, alterar interações de competição, alterar relações entre presas e predadores e afetar a fisiologia do animal.

Adriana Queiroz


                                      

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poluição Sonora: “O bem não faz barulho e o barulho não faz bem”

Difícil quem não sofra devido a poluição sonora. Ela ocorre quando num determinado ambiente o som altera a condição normal de audição. Embora não se acumule no meio ambiente, como outros tipo de poluição, causa vários danos ao corpo e à qualidade de vida das pessoas.

O ruído é o que mais colabora para sua existência e é provocado pelo som excessivo das indústrias, canteiros de obras, meios de transporte, áreas de recreação, etc. Estes ruídos provocam efeitos negativos para o sistema auditivo das pessoas, além de provocar alterações comportamentais e orgânicas. A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera que um som deve ficar em até 50 db (decibéis – unidade de medida do som) para não causar prejuízos ao ser humano. A partir de 50 db, os efeitos negativos começam. Alguns problemas podem ocorrer a curto prazo, outros levam anos para serem notados.

O professor universitário Mário Márcio da Rocha Cabreira, o problema da poluição sonora tem a ver com educação. “Não só de educação, mas também , de saúde e segurança pública”, afirma. Cabreira sofre com a poluição sonora há dois anos. Perto de sua residência tem uma casa noturna que faz shows quase que diariamente. “ Antes o barulhos era só final de semana, agora tem barulho todos os dias”, relata. O professor conta que fez diversos boletins de ocorrência, mas até agora nada foi feito com relação ao problema do som alto. “Já prestei queixa na Delegacia Especializada de Ordem Política e Social, reclamei várias vezes e até agora nada foi resolvido”, desabafa.

“Eu só espero que os barulhentos compreendam que eu preciso dormir”. (Cabreira)

De acordo com o delegado da DEOPS, Antônio Silvano Rodrigues Mota, o som alto e perturbações do sossego, são as maiores causas de reclamações em delegacias. “Este é um problema frequente”, diz. Mota orienta que todo cidadão que sofre com a poluição sonora deve procurar a delegacia pra formalizar a ocorrência. “Pra que se tenha um procedimento de natureza formal”, explica.

Ainda segundo o delegado, a DEOPS atua na repressão e verificação com o intuito de coibir estas práticas de desordem pública. “Em questão de denúncias, a DEOPS faz a verificação no local e conforme o caso, a pessoa responsável pela desordem responderá criminalmente, dentro das contravenções penais”, afirma.
Além de ter que conviver com o barulho, o professor Cabreira também sofrer os danos causados pela poluição sonora. “Sinto cansaço, irritação, por não conseguir dormir a noite, acordo dolorido, como se tivesse levado uma surra”, relata.

Para o otorrinolaringologista, Pedro Paulo Rocha, a exposição prolongada ao ruído, lesa a médio e longo prazo o ouvido. “Estes ruídos provocam uma porção de sintomas como: insônia; estresse; depressão; perda da audição, concentração e memória; dores de cabeça; aumento da pressão arterial; cansaço; irritações do nariz-ouvido-garganta; gastrite, úlcera, dentre outros fatores”, explica. Ele diz que ao falar mais alto do que o ruído, a pessoa força a garganta. “ Isso prejudica as cordas vocais e exige um maior esforço de concentração”, diz. “É como disse São Francisco de Assis: O bem não faz barulho, e o barulho não faz bem” completa.

Para evitar os efeitos nocivos da poluição sonora é importante: evitar locais com muito barulho; escutar música num volume de baixo para médio; não ficar sem protetor auricular em locais de trabalho com muito ruído; escutar mp3 player num volume baixo, não gritar em locais fechados, evitar locais com aglomeração de pessoas conversando, ficar longe das caixas acústicas nos shows de rock e fechar as janelas do veículo em locais de trânsito barulhento.

Elizângela Lemes
Foto: Lane Nakasone

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Poluição das queimadas provoca incidência de bebês baixo peso

Uma pesquisa conduzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em parceria com a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) sugere relação entre a poluição causada pela fumaça das queimadas e a maior incidência de bebês nascidos com baixo peso.O estudo foi feito em 18 cidades de Mato Grosso -Estado campeão de queimadas.
De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Mato Grosso tem mais de 30% do total de focos de calor registrados no país ao longo deste ano.
A pesquisa comparou registros de 3.500 nascimentos com uma série histórica do Inpe sobre emissões relacionadas a queimadas por cidade -monóxido de carbono e material particulado fino.
Uma mãe que é submetida a níveis elevados de fumaça entre o segundo e o terceiro trimestres da gestação, diz o estudo, o filho tem entre 23% e 40% mais chances de nascer com peso abaixo de 2,5 kg, que é o considerado normal pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Postado por Elizângela Lemes.

Fonte: Folha SP.